Soneto de verão

nesta manhã, ao despertar
três pernilongos gordos
embriagados de meu sangue
cambaleavam sem parar

 

sobrevoavam ao meu redor
acima de meus lencóis
já grudados em meu corpo
embebedado em suor

 

e a urtigem epidérmica
que levantou-me o corpo
espantou tais criaturas
num esvoaçar torto

 

so long, pernilong
carregai meu código genético
que preenche vossas vísceras

 

levai minhas hemácias
à água parada de todas as praças
e morram
[ seus filhos da puta.

 

 

 

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